14ª MOSCA exibiu 119 curtas em 2021, em sua segunda edição online

Entre os dias 15 e 20 de dezembro de 2021, aconteceu a 14ª edição da MOSCA, em sua segunda edição online, a propósito do momento que se seguia de isolamento obrigatório.

119 filmes de curta-metragem foram exibidos na platafoma on-line criada por Rogério Velloso. Apesar de trazer as sessões já conhecidas do público - mostra Brasil, mineira, internacional, infantil, jovem e meia-noite - foi a primeira vez que uma edição trouxe a visão de filmes isolados, sem circunscrevê-los necessariamente a uma sessão, deixando livre a escolha pela ordem em que as obras seriam assistidas.

A seguir, leia mais sobre a proposta da 14ª MOSCA:

Caminhos possíveis

Num texto fluido e saboroso, publicado em 2004 a propósito de Kiarostami, Jean-Claude Bernardet cita uma outra forma de encarar o mundo. Diferente das histórias com começo e fim, narrativas nas quais os elementos seguem uma trajetória determinada, o catálogo ou o banco de dados surgem para representar o mundo "como uma lista de itens, recusando-se a ordená-la". Eles recusam a pretensão de criar uma "trajetória de causa e efeito entre elementos (entre fatos) aparentemente desordenados".

Pela segunda vez, apresentamos uma MOSCA totalmente online. Pela primeira vez, no entanto, experimentamos um formato novo para nós. Se, até 2020, os filmes estavam agrupados em sessões, desta vez nos inspiramos nas palavras de Bernardet (na verdade ele cita o texto "Database as a symbolic form" de Lev Manovich) para apresentar os filmes como "itens isolados", em que cada um "tem o mesmo significado de qualquer outro".

Continuam os recortes, as mostras Brasil, Infantil, Internacional, Jovem, Meia-Noite e Mineira. Mas os curtas-metragens deixam de integrar um desenho proposto por nós. Eles ficam disponíveis simultaneamente por toda a mostra, sem sessões de abertura ou encerramento. Assim, coexistem com a mesma importância, ainda que isolados — como todos nós ao longo da pandemia. Como nessa identidade visual criada mais uma vez por Mateus Rios, cada filme se revela como algo único, de contorno e vibrações próprias.

O convite que fazemos ao público é o de criar os próprios caminhos de apreciação da 14ª MOSCA. O de ligar os pontos, da forma ainda possível (o online), mas também livre e subjetiva, construindo o desenho que se quiser, sua constelação particular (pegando carona num termo do curador Leno Veras), e perceber que os filmes, dispostos de maneira independente, são capazes no entanto de revelar novas cores. De alguma forma, eles se tocam e se contaminam – na melhor acepção do termo –, sem perder seus contornos, sem perder sua integridade.

Cada curta, como cada pessoa, importa. Como seres com vida própria, o conjunto que oferecemos vibra, repleto de energia, e parece que tende cada vez mais ao centro, com vontade de se aglutinar. Esse organismo, que não começa nem termina do jeito como estamos acostumados, traz o desejo secreto, provisoriamente impossível, de que nunca tenha fim.

Essa celebração vital, composta por 119 filmes, não se completaria sem a evocação do nosso percurso até aqui, dos 1.047 curtas exibidos pelas edições da MOSCA, e a memória de um em especial: Maria Roxinha — ofício e arte das rezadeiras, no qual a pesquisadora Vanessa Manes acompanha uma das figuras mais emblemáticas de Cambuquira, nossa cidade de origem.

Este ano, Vanessa e Dona Maria Roxinha se encantaram. Por terem marcado e transformado a história de Cambuquira e da mostra, por terem iluminado nosso trabalho de modo especial na cerimônia de premiação de 2017, lembrada com carinho até hoje, é que a 14ª MOSCA é dedicada a elas.


Ananda Guimarães e André Bomfim

14ª MOSCA Mostra Audiovisual de Cambuquira, edição online

Programação gratuita


6 FILMES FORAM PREMIADOS NAS MOSTRAS INFANTIL, JOVEM, MEIA-NOITE, MINEIRA, INTERNACIONAL E BRASIL

Em sua 14ª edição, a MOSCA – Mostra Audiovisual de Cambuquira exibiu 119 curta-metragens, do Brasil e de mais 13 países, entre eles Argentina, Bélgica, Canadá, China, Coreia do Sul, Espanha, França, Gana, Grécia, Israel, Macedônia, México, Reino Unido.

Todas as exibições foram gratuitas e online. Assim, espectadores de todos os Estados do país puderam assistir e votar para eleger os favoritos do público em cada mostra da programação, composta por Mostra Brasil, Internacional, Mineira, Jovem, Infantil e Meia-Noite

Tendo em seu DNA a diversidade, a Mosca teve cerca de 50% de diretoras mulheres e mais de 30 diretores autodeclarados negros ou pardos, além de indígenas, asiáticos e latinos.

VENCEDORES DA 14ª MOSCA

Melhor Curta-Metragem da Mostra Infantil pelo Júri Popular
TRIO
EDUARDO FUNICELLO DUALIBI, ANIMAÇÃO, SÃO PAULO - SP, 4’58’’.
Três seres muito diferentes chamados Staccato, Legato e Non, se conhecem num parque, onde encontram uma maravilhosa fruta, a Mangoiaba. Para conseguirem pegar essa fruta, eles precisarão aprender a trabalhar juntos.


Melhor Curta-Metragem da Mostra Jovem pelo Júri Popular
031
RAUL CARVALHO E DIOGO SOUZA, DOCUMENTÁRIO, BELO HORIZONTE - MG, 10’10’’
Vhoor é um conhecido produtor musical de BH e “031” é um pequeno retrato dos processos e performances experimentais que foram realizadas por esse artista desde sua juventude.


Melhor Curta da Mostra Meia Noite pelo Júri Popular
NERVO ERRANTE
BRUNO BADAIN, FICÇÃO, SANTO ANDRÉ - SP, 12’32’’
Valentina é ilustradora freelancer e precisa entregar um Job com urgência para receber o pagamento e comprar seus medicamentos. Sem os medicamentos, Valentina sofre ataques de pânico e precisa segurar a cabeça no lugar enquanto conclui o trabalho.


Melhor Curta-Metragem da Mostra MIneira pelo Júri Popular
DESTINO
MATHEUS GEPETO, FICÇÃO, BELO HORIZONTE - MG, 3’
“Destino” vem para falarmos a respeito do encontro consigo, com o outro e com o Horizonte. O tempo e espaço misturam-se quando temos a consciência de que precisamos lutar para gerar mudanças pois somos vistos pelo nosso futuro.


Melhor Curta da Mostra Internacional pelo Júri Popular
ADEUS CHE BEI
ANDRÉ ZAMITH, BEATRIZ SAMPAIO E VINÍCIUS CERQUEIRA, DOCUMENTÁRIO, BRASIL E CHINA, 9’37’’
Em seu último dia em Che Bei, bairro em Guangzhou, cidade no sul da China, alguém decide andar uma última vez pela região e, assim, passa por uma jornada de descoberta sobre os significados de lar, família, pertencimento e migração.


Prêmio Melhor Curta-Metragem da Mostra Brasil pelo Júri Popular
MÓRULA
CRISTAL OBELAR E GABRIELA CUNHA, DOCUMENTÁRIO, PELOTAS - RS, 9’32’’
Imagens poéticas sobrepostas a uma escrita cortante que expõe o relato incisivo e sensível de Cristal Obelar sobre sua experiência de aborto vivida em 2016.

Mostra Audiovisual de Cambuquira

Site oficial da MOSCA - Mostra Audiovisual de Cambuquira, fundada em 2005 no Sul de Minas Gerais.

Produzida por Romã Produtora Cultural Ltda.

http://www.mostramosca.com
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